sábado, 25 de fevereiro de 2012

Respiração ZEN

Inspirando, sei que estou inspirando
Expirando sei que estou expirando
(para dentro, para fora – façam calmamente!)

Inspirando, vejo a mim mesmo como uma flor
Expirando, sinto-me cheio de frescor
(flor, frescor)

Inspirado, vejo-me como uma montanha
Expirando, sinto-me sólido
(montanha, solidez)

Inspirando, vejo-me como água tranquila
Expirando, reflito as coisas tal como são
(água, reflexo)

Inspirando,
vejo-me como se eu fosse o espaço infinito!
Expirando, sinto-me livre!
(espaço, liberdade)

Thich Nhat Hanh


Ego - Esvazie a sua Xícara

Bhagwan:
O mestre japonês Nan-in concedeu uma audiência a um professor de filosofia.
Ao servir o chá, Nan-in encheu a xícara de seu visitante,
mas continuou despejando sem parar.


O professor ficou observando o transbordamento
até não poder mais se conter.
Pare!


A xícara está mais do que cheia, nada mais cabe aí.
Nan-in disse:
Como esta xícara, você também está cheio de opiniões e idéias
Como posso mostrar-lhe o Zen, sem que antes você esvazie a sua xícara?
Você encontrou uma pessoa ainda mais perigosa que Nan-in, pois nem uma xícara vazia servirá. A xícara tem de ser totalmente quebrada. Mesmo vazio, se você está presente, então está cheio. Até o vazio preenche você. Se você sente que está vazio, não o está absolutamente. Você está aí. Apenas o nome mudou. Agora você se chama vazio. A xícara não adiantará nada. Tem de ser quebrada completamente. Só quando você não estiver, o chá poderá ser despejado em você. Quando você não estiver, não haverá realmente necessidade de despejar o chá em você. Quando você não está, a existência inteira começa a se derramar, a existência inteira torna-se uma chuva abundante, vinda de todas as dimensões e direções.

Quando você não está, o Divino está.
A história é bela. Só podia acontecer com um professor de filosofia. A história diz que um professor de filosofia foi ver Nan-in. Ele deve ter ido por motivos errados, pois um professor de filosofia, como tal, está sempre errado.
Filosofia significa intelecto, raciocínio, pensamento, argumentação. E esta é a maneira de estar errado, pois você não pode amar a existência se gosta de argumentar. A argumentação é a barreira. Se você argumenta, discute, você está fechado. Toda a existência se fecha para você. Então, você não está aberto, e a existência não se abre para você. Quando você argumenta, você afirma. Afirmação é violência, agressão, e a verdade não pode ser conhecida por uma mente agressiva, a verdade não pode ser descoberta pela violência. Você só conhece a verdade quando ama. Mas o amor nunca argumenta. Não há argumentação no amor, pois não há agressão.
Lembre-se: não apenas aquele homem era um professor de filosofia; você também é. Todo homem carrega sua própria filosofia; e todo homem é um professor, à sua maneira, pois você professa as suas idéias. Acredita nelas. Você tem opiniões, conceitos.
Por causa das opiniões e conceitos, seus olhos estão embaçados, não podem ver; sua mente é estúpida, não pode conhecer. Idéias criam estupidez, pois quanto mais idéias existem, mais a mente está carregada. E como a mente carregada pode conhecer? Quanto mais idéias existem, mais elas se tornam como poeira que se acumula sobre um espelho. Como pode o espelho espelhar? Como pode o espelho refletir? Sua inteligência fica realmente coberta por opiniões, pela poeira, e qualquer pessoa com opiniões certamente será estúpida e sem brilho.
Por isso os professores de filosofia são quase sempre estúpidos. Eles sabem demais para realmente saberem alguma coisa. Estão muito carregados. Não podem voar pelo céu. Não podem ter asas. Estão demais em suas mentes, não podem ter raízes na terra. Não estão enraizados na terra e não estão livres para voar no céu.
E, lembrem-se, vocês são todos iguais. Pode haver diferenças de quantidade, mas todas as mentes são qualitativamente as mesmas, pois a mente pensa, argumenta, coleta, junta conhecimento e torna-se estúpida. Apenas as crianças são inteligentes. E se você puder preservar sua infância, se puder recuperá-la continuamente, você permanecerá inocente e inteligente.
Se você acumula poeira, a infância é perdida, a inocência deixa de existir, e a mente torna-se estúpida e embaçada. Agora você pode ter suas filosofias. E quanto mais filosofias tiver, mais longe estará do Divino.
Uma mente religiosa é não-filosófica. Uma mente religiosa é inocente, inteligente. O espelho está claro e limpo. O pó não se acumulou. E todos os dias uma limpeza está sendo feita, continuamente. É isso que chamo de meditação.
Aquele professor de filosofia foi ver Nan - in. Ele deve ter ido por motivos errados. Deve ter ido para conseguir algumas respostas. As pessoas que estão cheias de perguntas, estão sempre procurando respostas, e Nan-in não podia dar uma resposta. Ë tolice preocupar-se com perguntas e respostas.
Nan-in podia dar-lhe uma nova mente, Nan-in podia dar-lhe um novo ser, Nan-in podia dar-lhe uma nova existência, na qual não surgem perguntas, mas Nan-in não estava interessado em responder a nenhuma pergunta em particular. Não estava interessado em dar respostas.
Nem eu tampouco. Você deve ter vindo aqui com muitas perguntas. É sempre assim, pois a mente gera perguntas. A mente é um mecanismo para criar perguntas. Alimente-a, e ela lhe dará uma pergunta, e muitas outras se seguirão; dê-lhe uma resposta, e imediatamente ela a converterá em muitas perguntas. Você está aqui cheio de perguntas. Sua xícara já está cheia. Não é necessário Nan-in despejar mais chá dentro dela; você já está transbordando.
...
A filosofia tem muitas perguntas, muitas respostas — milhões delas. A religião tem apenas uma resposta. Qualquer que seja a pergunta, a resposta permanece a mesma. Buda costumava dizer: Onde quer que você experimente a água do mar, o gosto é sempre o mesmo, sempre salgado.
Qualquer coisa que você pergunte é realmente irrelevante. Responderei da mesma maneira, pois tenho apenas uma resposta. Mas esta única resposta é como Uma chave - mestra: abre todas as portas. Não pertence a nenhuma fechadura em particular — a chave abre qualquer fechadura. A religião tem uma única resposta, e essa resposta é a meditação. E meditação significa a maneira de você se esvaziar. 
Aquele professor devia estar cansado de tanto andar quando chegou à cabana de Nan-in. E Nan-in disse: Espere um pouco. O homem devia estar com pressa. A mente está sempre apressada, está sempre procurando realizações instantâneas. Para a mente, é muito difícil esperar, quase impossível.
Nan-in disse: Vou preparar um chá para você. Você parece cansado. Espere um pouco, descanse um momento, e tome uma xícara de chá. Depois podemos conversar. E Nan-in ferveu a água, e começou a preparar o chá. Mas ele deve ter ficado observando o professor. Não só a água estava fervendo, o professor também estava fervendo por dentro. Não só a chaleira estava fazendo ruídos, o professor estava fazendo ainda mais barulho dentro dele, tagarelando, falando sem parar. Ele devia estar se preparando - o que perguntar, como perguntar, por onde começar. Devia estar num profundo monólogo. Nan-in deve ter ficado sorrindo e observando: Este homem está muito cheio, de tal maneira, que nada pode penetrá-lo.
A resposta não pode ser dada, porque não há ninguém para recebê-la. O hóspede não pode entrar na casa. Não há lugar. Nan-in deve ter querido tornar-se hóspede dentro daquele professor. Por compaixão, um Buda sempre quer torna-se um hóspede dentro de você. Ele bate, mas não há porta. E mesmo que ele arrombe uma parede, o que é muito difícil, não há lugar. Você está tão cheio de si mesmo, de lixo e de todos os tipos de parafernália, acumulados durante muitas vidas, que nem mesmo consegue entrar dentro de você mesmo. Não há lugar, não há espaço. Você vive fora de seu próprio ser, fica apenas na soleira da porta. Não pode entrar dentro de você mesmo. Tudo está bloqueado.
Então Nan-in despejou o chá dentro da xícara. O professor começou a ficar apreensivo, pois o mestre não parava de despejar. A xícara estava transbordando. Logo o chá escorreria para o chão. Então o professor disse: Pare! O que está fazendo? Nem mais uma gota de chá cabe nesta xícara. Você está louco? O que está fazendo? E Nan-in disse: O mesmo acontece com você. Você está alerta para o fato de a xícara estar cheia, nada mais podendo conter, mas por que não está assim tão consciente a respeito de você mesmo? Você está transbordando com opiniões, filosofias, doutrinas, escrituras. Já sabe demais. Nada posso lhe dar. Você viajou em vão. Antes de vir até mim, deveria ter esvaziado a sua xícara. Então, eu poderia despejar algo dentro dela.
E eu lhe digo que você encontrou uma pessoa mais perigosa ainda. Eu não permitirei nem uma xícara vazia, pois você a encherá de novo. Você está tão viciado, ficou tão habituado, que não deixa a xícara ficar vazia nem por um momento. Assim que vê o vazio em qualquer lugar, começa a preenchê-lo. Você tem tanto pavor do vazio, tanto medo. O vazio se parece com a morte. Você irá preenchê-lo com qualquer coisa, mas o preencherá. E eu o convidei para vir aqui, para quebrar completamente essa xícara, de modo que, mesmo que você queira, não a poderá encher.
Vazio significa que nem a xícara restou. Todas as paredes desapareceram; O fundo da xícara caiu. Você tornou-se um abismo. Então, eu posso despejar-me dentro de você. Muito é possível, se você permite. Mas permitir é árduo, pois para permitir, você terá de se render. Vazio significa rendição. Nan-in estava dizendo àquele professor: Incline-se, renda-se, esvazie a sua cabeça. Estou pronto para despejar. O professor nem sequer fez a pergunta, e Nan-in deu a resposta, pois, na verdade, não é necessário perguntar. A pergunta é sempre a mesma, Quer você me pergunte ou não, eu sei qual é a pergunta.
Muitos de vocês estão aqui, mas eu conheço a pergunta, pois, no fundo, a pergunta é uma só — a ansiedade, a angústia, a falta de sentido, a futilidade de toda esta vida, sem saber quem você é. Mas você está repleto. Deixe-me quebrar essa xícara. O trabalho aqui será uma destruição, uma morte. Se você estiver pronto para ser destruído, algo de novo surgirá. Toda destruição pode tornar-se um nascimento criativo. Se você está pronto para morrer, pode ter uma nova vida, pode renascer. Estou aqui para servir de parteira. Sócrates costumava dizer que um mestre é apenas uma parteira. Posso ajudar, proteger, guiar, apenas isso. O fenômeno real, a transformação, acontecerá em você. Haverá sofrimento, pois nenhum nascimento é possível sem sofrimento. Muita angústia surgirá, pois você a tem acumulado, e ela tem de ser descarregada. Uma purificação e catarse profundas serão necessárias. O nascimento é exatamente como a morte, mas o sofrimento vale a pena. A partir da escuridão do sofrimento, uma nova manhã começa, um novo sol se levanta. E a alvorada não está muito distante quando você sente que a escuridão é demasiada.
Quando o sofrimento é insuportável, a bem-aventurança está muito próxima. Por isso não tente escapar do sofrimento — esse é o ponto onde você pode pôr tudo a perder. Não tente evitá-lo; passe por ele. Não tente achar um jeito de dar uma volta. Não, isso não adiantará. Passe através do sofrimento. O sofrimento queimará você, Destruí-lo-á, mas, na verdade, você não pode ser destruído. O que pode ser destruído é apenas o lixo que você acumulou. O que pode ser destruído é algo que não é você. Quando tudo isso for destruído, você sentirá que é indestrutível, imortal. Passando através da morte, passando conscientemente através da morte, a pessoa torna-se ciente da vida eterna. ...
Esvazie a xícara. Foi o que Nan-in disse. Isso significa esvaziar a mente. O ego está ai, transbordando. E quando o ego está transbordando, nada pode ser feito. A existência inteira está ao redor de você, mas nada pode ser feito. O Divino não pode penetrar em você por lugar algum. Você criou uma fortaleza. Esvazie a xícara. Ou melhor, lance fora a xícara, de uma vez. Quando digo isso, significa que você deverá estar tão vazio, que nem mesmo terá a sensação de que está vazio.
Certa vez, um discípulo foi ver Bodhidharma, e disse: Mestre, você me disse para estar vazio. Agora estou vazio. O que mais me diz? Bodhidharma bateu-lhe fortemente na cabeça com seu bastão, e disse: Vá jogar fora esse vazio. Se você diz: Eu estou vazio, o "eu estou" ainda existe, e o "eu" não pode ser vazio. Portanto, o vazio não pode ser declarado. Ninguém pode dizer: Eu estou vazio, como também ninguém pode dizer: Eu sou humilde. Se você diz: Eu sou humilde — você não é. Quem está alegando essa humildade? A humildade não pode ser declarada. Se você é humilde, é humilde, mas não pode dizê-lo. Não apenas não pode dizê-lo, como não pode sentir que é humilde, pois o próprio sentimento fará surgir o ego novamente.
Seja vazio, mas não pense isso, do contrário, estará enganando a si mesmo. Você trouxe muitas filosofias com você. Abandone-as. Elas não o têm ajudado absolutamente; não têm feito nada por você. Já é tempo, agora é o momento certo. Abandone-as completamente, não apenas partes, fragmentos delas. Nestes dias em que você vai ficar aqui comigo, simplesmente fique sem nenhum pensamento. Sei que é difícil, mas, mesmo assim, digo que é possível. E quando você souber o jeito de fazer isso, quando descobrir o truque, rirá de todo o absurdo da mente que você carregou durante tanto tempo.
Ouvi contar que um homem estava viajando de trem pela primeira vez. Ele era um camponês. Estava carregando a bagagem na cabeça, e pensava: Se eu a colocar no chão, será muito peso para o trem carregar, e eu só paguei para mim. Comprei o bilhete, mas não paguei nada pela bagagem. Por isso, ele estava carregando sua bagagem na cabeça. O trem estava carregando o homem e sua bagagem e, quer ele a carregasse na cabeça, quer a colocasse no chão, não faria nenhuma diferença para o trem.
Sua mente é uma bagagem desnecessária. Não faz nenhuma diferença para essa existência que está carregando você. Você está carregando um peso desnecessário. Abandone-o. As árvores existem sem a mente, e de maneira mais bela que qualquer ser humano; os pássaros existem sem a mente, e num estado mais extático do que qualquer ser humano. Veja as crianças que ainda não são civilizadas, que ainda são selvagens. Elas existem sem a mente. Mesmo um Jesus ou um Buda sentiriam inveja da inocência delas. Não há necessidade dessa mente. O mundo prossegue sem ela. Por que você a está carregando? Está pensando que será muito peso para Deus, para a existência? Quando você consegue eliminar a mente, ainda que por um minuto, toda a sua existência é transformada. Você entra numa nova dimensão, a dimensão da leveza.
E é isso o que vou lhe dar: asas para voar céu afora — a ausência de peso lhe dá essas asas; e raízes para dentro da terra — uma base, um centro. A terra e o céu. São duas partes do todo. Nesta vida, na chamada vida cotidiana, você deve estar enraizado; e em seu espaço interno, na vida espiritual, você deve ser leve, móvel, fluido, flutuante. Se você permitir, eu posso dar a você raízes e asas, pois sou apenas uma parteira. Não posso fazer a criança sair à força de você. Uma criança tirada à força será feia, e poderá morrer. Simplesmente, deixe que eu o faça. A criança está ai; você já está prenhe. Todos estão prenhes de Deus. A criança está ai, e você já a carregou por muito tempo. O período de nove meses já passou há muito. Talvez seja esta a causa da sua angústia — você está carregando em seu ventre algo que precisa nascer, que precisa vir para fora, precisa ser dado à luz.
Imagine uma mulher, uma mãe, carregando uma criança em seu ventre, depois do nono mês. Será cada vez mais difícil de suportar e, se o nascimento não acontecer, a mãe morrerá, pois não poderá agüentar. Talvez seja esta a razão de você ter tanta ansiedade, angústia, tensão.

Algo precisa nascer de você; algo precisa ser gerado do seu ventre. Eu posso ajudar. Esse trabalho que vamos fazer aqui, para um êxtase e iluminação interiores, e que chamei de Samadhi Sadhana Shibir, será uma ajuda para você, para que aquilo que você vem carregando até agora como uma semente possa sair de seu solo e tornar-se algo vivo, uma planta viva. Mas o ponto básico será este: se você quiser estar comigo, não poderá estar com a sua mente. Ambos não podem acontecer ao mesmo tempo. Sempre que você estiver com a sua mente, não estará comigo; sempre que a mente não estiver presente, você estará comigo. E só poderei trabalhar se você estiver comigo. 

Do livro "Raízes e Asas
de Bhagwan Shree Rajneesh
Palestra baseada em uma história zen,
proferida em 10 de junho de 1974,
em Poona, Índia





Gaya, eu Te Amo!

Pelas areias tórridas,
que os Ventos rodopiam
nos desertos do oriente

pelas Águas que fluem
do Teu Sagrado Ventre

pela Terra que sustenta
o caminhar dos bilhões de pés
da raça humana

pelo Fogo que corre em Tuas entranhas

Gaya, eu te amo!

Gaya,
Sinto Muito, me Perdoe, Obrigado,
Eu te amo, eu te amo, eu te amo!

Autora: Edna Molina



CBB - CONSELHO DE BRUXOS BRASILEIROS

Manifesto do Conselho de Anciões
e Líderes de Covens do Brasil



Nós, bruxos brasileiros, reunidos neste Conselho de Anciões e Líderes de Covens, preocupados com os rumos da Arte em nosso país, bem como com a crescente deturpação de nossa religião, vimos nos manifestar para tornar públicas as diretrizes comuns a todas as Tradições Wiccanianas, com o objetivo de prestar esclarecimentos à comunidade pagã no Brasil.
Nota-se uma acentuada e crescente tendência a que a Wicca no Brasil perca seus lineamentos básicos, especialmente pela mescla com outros sistemas mágicos e religiosos ou pela divulgação de crenças estranhas à Arte, feita por pessoas que não têm uma experiência do Sagrado vivida em parâmetros sacerdotais, nem com ancestralidade reconhecida. Tais pessoas, ao buscarem divulgar e fazer crescer suas visões pseudo wiccanianas, prejudicam efetivamente muitas pessoas que ouviram o Chamado da Deusa. É em busca da defesa dessas pessoas, iludidas em sua boa fé, que nos manifestamos segundo os princípios abaixo elencados.

* Wicca é a Religião da Deusa, também chamada Bruxaria, A Arte ou A Antiga Religião.

* Wicca é uma religião baseada nas forças da Natureza, na relação mágica com ela, e centrada na celebração dos ciclos sazonais, compondo-se de ritos que resgatam e preservam as antigas religiosidades históricas, centradas na Grande Mãe e no Divino Feminino, fonte de todas as coisas, bem como no Deus Cornífero, seu Filho e Consorte.

* Wicca é uma religião iniciática e sacerdotal, na qual a iniciação Tradicional é outorgada por Altos Sacerdotes de Terceiro Grau ou equivalentes, através da ancestralidade e da transmissão do poder do clã, embora reconheçamos a auto- iniciação como possível fonte de um sacerdócio pessoal, outorgado diretamente pelos Deuses.

* Nós wiccanianos não aceitamos que auto-iniciados possam fundar covens e iniciar outras pessoas, porque não receberam a necessária transmissão do poder do clã e ancestrais do Círculo. Recomendamos a auto-iniciados que tiverem vocação para a liderança de Círculos que busquem confirmação nas Tradições antes de tentarem fundar covens e se tornarem iniciadores.

* Wicca é uma religião de Mistérios. Compete aos mais antigos na Arte, também denominados Elders ou Anciões, zelar pela sobrevivência e pela transmissão dos ensinamentos de sua Tradição, para que não sejam banalizados e deteriorados os conhecimentos sagrados.

* Reconhecemos todas as Tradições wiccanianas, desde que possuam ancestralidade reconhecida e seus fundamentos estejam ligados aos princípios verdadeiros da Arte, e tragam no seu corpo litúrgico-filosófico a expressão de todos os componentes das bases da bruxaria.

* Reconhecemos as diferenças entre as diversas Tradições e respeitamos a individualidade dos covens e clãs, desde que mantenham o estabelecido nos itens anteriores.

* Nós wiccanianos não aceitamos propostas que desestruturem os dogmas e fundamentos de Wicca ou que vão de encontro aos preceitos e práticas legadas pelos Antigos.

* Não reconhecemos qualquer estrutura hierárquica autoritária, exceto aquela interna e pertencente a cada coven ou Tradição individualmente.

* Não reconhecemos superioridade de nenhuma Tradição em relação às outras, bem como não cremos que o sacerdócio dos Antigos seja transmitido por herança genética, mas sim seja a livre escolha de cada pessoa e uma questão de vocação.

* Reconhecemos a presença da Deusa na natureza, nas pessoas e em tudo o que existe, em todas as suas formas e manifestações.

* Wiccanianos não fazem proselitismo em nenhuma hipótese.

* Wiccanianos não fazem distinção e não admitem preconceitos de raça, cor, religião, procedência nacional, gênero, orientação sexual, aparência, posição social, econômica, cultural ou política, vendo na multiplicidade uma expressão sagrada da Deusa.

* Não nos abalamos com discussões e hipóteses sobre as origens da bruxaria. Sabemos quem somos e o que fazemos hoje, construindo a Religião da Deusa em cada um de nossos ritos individuais ou coletivos.

* Wicca é um sistema mágico e religioso completo, que se basta, não sendo preciso que seus membros professem nenhuma outra crença para encontrarem a plenitude de sua realização espiritual.

* Wicca não endossa a separação de matéria e espírito, vendo em ambos a unicidade que representa o sagrado em nossas vidas. Wiccanianos não adotam em sua cosmovisão filosofias maniqueístas.

* Wicca é uma religião que não pretende reproduzir nem imitar antigos cultos pagãos deste ou daquele povo, mas neles apenas se inspira para formar uma religião universal e aberta a todos os que tiverem vocação para ela e sigam seus preceitos específicos.

* Não é um bruxo aquele que apenas assim se denomina, usa trajes ou adornos específicos, nem exibe uma coleção de títulos ou patentes. O bruxo somente se forma com a vivência diária e ininterrupta da experiência do Sagrado nos moldes próprios da bruxaria.

* A base da ética wiccaniana é expressa no respeito ao Dogma da Arte ("Faça o que quiseres se a ninguém prejudicares") e na Lei Tríplice ("Tudo o que fazemos a nós retomará 3 vezes").

Levando em consideração as deturpações mais comuns levadas a manutenção de adeptos por coação, ameaças ou qualquer forma de supressão da liberdade individual.

WICCA NÃO É satanismo, nem culto a anjos, demônios, diabo ou qualquer outra deidade ou ser pertencente ao sistema mitológico judaico-cristão ou de outras religiões patrifocais. Nossa religião se baseia na religiosidade ancestral da Deusa, que é pré-cristã.

WICCA NÃO É simplesmente um caminho mágico, nem está ligado a nenhum sistema de magia cerimonial, mas é sim uma religião sacerdotal, com sua filosofia, liturgia, litanias e código de conduta próprios.

WICCA NÃO É esoterismo, nem está ligada ao movimento new age.

WICCA NÃO É movimento ecológico, embora apóie e incentive qualquer política de preservação e desenvolvimento sustentável.

WICCA NÃO É ligada a nenhuma tribo contra-cultural, embora muitas vezes respeite esses movimentos e suas reivindicações.

WICCA NÃO É praticada por quem cobra por iniciações, nem existe pagamento para se pertencer a covens, porque reconhecemos que a formação de uma Sacerdotisa e um Sacerdote não é um comércio.

WICCA NÃO incentiva, de nenhuma maneira, a transgredir as leis de nosso país.

WICCA NÃO pretende desestruturar as famílias, nem incentiva que crianças e adolescentes a pratiquem sem a expressa autorização de seus pais.

WICCA NÃO incentiva a qualquer forma de assédio sexual e repudia aqueles que se utilizam da fragilidade e ingenuidade das pessoas, disfarçando seus abusos em falsas regras de ingresso em grupos.

WICCA NÃO transforma neófitos em empregados domésticos ou comerciais, nem implica subserviência, exploração de trabalho, nem manutenção de adeptos por coação, ameaças ou qualquer forma de supressão da liberdade individual.

WICCA NÃO é transmitida automaticamente ao final de cursos, nem nela se ingressa simplesmente por ritos vazios, feitos ou instruídos por pessoas inexperientes.


ESTE CONSELHO REPUDIA QUALQUER TENTATIVA DE INSTITUCIONALIZAÇÃO DA ARTE, bem como alerta sobre os falsos líderes que tentam se arvorar em donos da Wicca no país.
Somente reconhecemos qualquer forma de associação civil como a expressão de liberdade de seus membros, e dos que a elas se filiarem voluntariamente, não cabendo normatizações da Arte como um todo, sob pena de se estar descaracterizando a bruxaria.


ESTE CONSELHO ALERTA que a bruxaria neste país é uma religião constitucionalmente estabelecida, como qualquer outra crença, expressão dos direitos e garantias individuais do cidadão, expressos no Art. 5° da Constituição Federal, não precisando ser legalizada ou de qualquer forma legitimada pelas instituições estatais, visto que o Estado Brasileiro é laico (alheio, por obrigação legal à qualquer religião).
O espírito que une as pessoas deste Conselho, muito longe de buscar uma institucionalização, é o de buscar declarar e divulgar as diretrizes, comumente aceitas por diferentes ramos da bruxaria. Reconhecemos que a Wicca, embora comporte um grande número de variações em costumes e práticas, têm raízes básicas que a todos os seus praticantes são comuns, raízes essas que a caracterizam e não podem estar ausentes de qualquer prática que se possa denominar Wicca.
E por concordarem com todos os aspectos aqui expostos, assinam a presente e divulgam este texto para conhecimento da comunidade e orientação daqueles que desejam ingressar na bruxaria. Conclamamos aos demais líderes e anciões que concordem com as diretrizes aqui expostas, a apoiarem este manifesto.

São Paulo, 25 de janeiro de 2003



Feiticeira

Narrador:
A fraca bruxa parte, seguindo os desígnios da Deusa.

Bruxa:
- E agora me ponho á caminhar nos vales claros e sombrios, pois assim me instruiu a Senhora. Percorro as trilhas e me abrigo nas grutas. Ouço os pássaros e me alimento das frutas. Conto meus dias no sagrado Sol e meus ciclos na sagrada Lua, pois ambos, juntos, formam o Grande Mistério. Corro junto ao coelho no campo. Canto minhas orações e de esperanças se enchem meus encantos.  A confiança transborda em meu ser e à Grande Mãe deposito o amor ao meu bem-querer. Hoje sou fraca, sei que sou.  Mas, em meu caminho, hei de me regozijar: “A Deusa, em força, me tornou”.

 Narrador:
 E em seu caminho a fraca bruxa muda de pele como a cobra das matas verdes. Em cada passo um novo aprendizado, a esperança no coração e a canção da natureza, voz feminina, embalando a peregrinação. Dias e noites se foram e o pequeno botão despertou, com folhas vistosas, da alma da bruxa uma rosa desabrochou.

Bruxa:

 - Tantas são as cicatrizes que conquistei e muitas foram as glórias conquistadas quando, ao cair, levantei. A magia dançava na aurora, cantando os diversos nomes Dela e abençoando a feiticeira que sou agora. E de mim, muito tive que ofertar para que nesse caminho de aprendizado meu ser pudesse emanar.  Sou a filha das Dádivas Antigas, a própria profecia me falou: “Tens a proteção dos Deuses. És imortal. Sendo assim, tudo te fortalecerá para a jornada seguinte”. Não minto quando digo que existiram aqueles que tentaram me derrubar. Porém, existiram também aqueles que me apoiaram em levantar e continuar, em manter-me de pé. Ambos sempre haverão de existir, basta peneirar as sementes ruins do trigo fértil. Extraindo sempre a positiva experiência de viver os momentos mágicos dessa jornada.

Narrador:
 A Feiticeira se fortalece, no interior de sua caverna e na imensidão do mundo.  As magias engrandecem seu espírito e os suspiros deixam explicações dos mistérios.  A mulher amadurece e envelhece, transformando-se nas lunações, em uma sábia feiticeira: a conquistadora do Antigo Caminho consagrado a Deusa Anciã.

Bruxa:
- Pois a Senhora me ensinou que os segredos mais distantes encontravam-se em mim, em meus irmãos e em meus amantes. Houve o tempo de plantar, ouve o tempo de colher, sinto o Teu chamar, Senhora. É chegado o tempo de renascer. Minha beleza o tempo levou, as lágrimas me fortificaram e ainda conto nos dedos os amigos que, vivos, ficaram. Muitas crianças eu ajudei a nascer, com minhas ervas muitos já se curaram, meu destino está comprido e meus passos terminaram. Não deixarei de andar, apenas seguirei outro caminho. Sabemos todos que essa vida é circular e que gira como um moinho. Fiquei conhecida como bruxa, feiticeira e parteira, mas minha maior preciosidade é saber-me Tua herdeira. Deixo aqui as minhas jóias, que conquistei na minha jornada: “Ama, chora, vive e dança, pois a Vida é para ser vivenciada”. Calo minha boca e fecho os meus olhos, sinto o suave beijo Dela em minha fronte, deixo minha história para que alguém, algum dia, com grande alegria, a conte...

 Narrador:
 E a bruxa falece praticando sua magia, seu corpo foi enterrado nas colinas em que vivia. Até os tempos, falava-se das memórias de seu caminho, ela sabia o que dizia, ela conhecia cada vizinho. Suas pernas andaram tudo o que podiam, a Praticante chegou ao país aonde muitos chegariam, se possuíssem os sinceros sentimentos para a magia: o amor para com a Arte e o respeito aos que a seguiam.

Autora: Morgan Le Fay

Las Ancianas

"Las ancianas no se quejan.
 Al contrario, las ancianas son atrevidas
y confían en sus propios instintos.
 No imploran; en cambio, sí meditan.
 Eligen su camino con el corazón.
 Poseen la fiereza del que defiende lo
 que más le importa.
 Dicen la verdad con compasión.
 Escuchan su cuerpo,
 se reinventan a sí mismas
 en función de sus necesidades y
 saborean la parte positiva de sus vidas."

Fonte: Desconhecida

Lua, Mãe Lua!


Eu gosto de esperar o Plenilúnio para olhar a Lua Cheia.
Quando olho para o céu, aquele “halo” colorido se forma em volta dela! Sempre. Dizem que este círculo só se forma quando uma bruxa está olhando.
Não me interessa se é verdade. São tantas as coisas do mundo que são tidas como “verdadeiras” e tanto no mundo físico, como extra físico, “Verdade”, é muito relativa!

É um fato: ela, o símbolo da Senhora dos Antigos, sempre esteve lá para nós. De sua posição privilegiada, observa todas as proezas, dos tresloucados seres humanos!

Acompanhou os nômades, nossos ancestrais ciganos, as tribos, a formação das aldeias próximas a terras cultiváveis, que se transformaram em vilas, depois em cidades, que formaram uma “organização” chamada sociedade; turva, ambígua, tendenciosa, mutável, desgovernada, ou pior, governada por loucos, desconectados dos valores primordiais, essenciais.

Gosto de simplesmente olhar a Lua...não só por que ela é um excelente elemento de “conexão”...A imagem, o brilho deste astro prateado no céu, mexe profundamente com minha alma...Ela é um símbolo acessível a todos aqueles que fazem questão de se lembrar que nossa vida aqui, não se resume a levantar todo dia cedo e pegar o trânsito para o trabalho, encarar aquela chata superficial da mesa ao lado, o garanhão do corredor, o cartão para pagar no final do mês e o aviso da geladeira que diz que o açúcar acabou, ou a agenda da facul avisando sobre os trabalhos e provas deste semestre.

Olhar a lua cheia e conversar com ela, me faz conectar com o mundo invisível das minhas emoções e sou capaz de descobrir que a Deusa que ela representa, está dentro de mim e então fica fácil senti-la, pulsando junto com o meu coração, ouvir a Sua amorosa voz que invariavelmente, me diz que tudo tem sua hora e para eu ficar tranqüila,  por que tudo está bem no meu mundo.

Você já observou o céu hoje?

Autora: Edna Molina

Minha Bênção da Manhã

Pelo poder da Anciã,
eu Abençoo este novo dia.

Que os ventos nos tragam hoje, a clareza e lucidez necessárias,
para tomarmos decisões que se tornem benefícios verdadeiros.

Que o calor do novo dia, aqueça nossos corações e mentes,
na Luz da compaixão e do amor.

Que as águas estejam presentes, trazendo sua pureza,
fluidez e equilíbrio às nossas emoções e

Que a terra, acolha nossos passos,
e nos dirija rumo à segurança e certeza de nossa Fé,
trazendo a Paz ao nosso caminhar.

Autora: Edna Molina


As 13 Metas da Wicca

1. Conhecer a si mesmo.
2. Saber a sua arte.
3. Aprender e buscar conhecimento sempre.
4. Usar o que você aprendeu corretamente.
5. Manter o balanço (equilíbrio) de todas as coisas.
6. Manter suas palavras verdadeiras.
7. Manter seus pensamentos verdadeiros.
8. Celebrar a vida.
9. Alinhar você mesmo com os ciclos da TERRA .
10. Manter seu corpo saudável e forte.
11. Exercitar seu corpo, sua mente e seu espírito.
12. Meditar, relaxar e se controlar.
13. Honrar a Deusa e o Deus em todos os momentos.

Fonte Desconhecida